sábado, 14 de maio de 2011

Roberto Benigni


Após ter escrito algo sobre a vida em Kakuma, aproveito agora o dia de hoje para publicar aqui o excerto de um programa do Roberto Benigni na RAI de há uns anos atrás, e que traduzi recentemente.

A propósito de Dante e da Divina Comédia, Benigni fala sobre Nossa Senhora e também sobre as mudanças de mentalidade no que diz respeito ao lugar da mulher na sociedade.

Ainda que um ou outro detalhe daquilo que é dito possa talvez ser discutível, acho que é um vídeo interessante e que vale a pena ver. Tem uma duração de pouco mais de cinco minutos.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Vida em Kakuma

Kakuma I, II e III
Como disse anteriormente, o campo de Kakuma conta actualmente com cerca de 80.000 refugiados, provindos de vários Países e pertencendo também a várias religiões ou denominações religiosas. No que diz respeito aos cristãos, além dos católicos, existem também várias comunidades protestantes, para além de cristãos ortodoxos (vindos sobretudo da Etiópia). Mas há também muitos muçulmanos. Ao andar pelas ruas, encontramos sempre mulheres com a cara parcial ou totalmente coberta. E cinco vezes ao dia se ouve, um pouco por todo o campo, o apelo muçulmano à oração.
Sejam cristãos ou muçulmanos, sudaneses ou somalis, todos os refugiados, porém, têm algo em comum: razões muito fortes, ou tantas vezes até trágicas, os obrigaram a deixar o próprio País. Se assim não fosse, sem dúvida que poucos ou nenhuns estariam aqui.
Ao chegarem a Kakuma, tendo sido registados como refugiados pelo UNHCR (ou ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) é-lhes oferecida uma ajuda inicial, em termos de materiais para a construção da própria casa, bem como alguns utensílios de cozinha. Depois disso, recebem regularmente uma certa quantidade de bens alimentares. E, ao longo de cada dia, é fornecida, rotativamente, água às várias torneiras que estão espalhadas por diferentes partes do campo.
Os refugiados continuam a chegar a Kakuma, a maior parte deles provém agora da Somália. O campo tem vindo por isso a expandir-se ao longo dos anos. Assim, ao lado do campo identificado como "Kakuma I", existe agora já um "Kakuma II" e até um "Kakuma III", numa área que se estende por um total de uns 10km (cfr. esquema do campo mais abaixo).

O "Compound"
A comunidade do JRS onde vivo fica dentro de um grande recinto de ONGs que aqui é conhecido como "Compound", no extremo sul do campo de refugiados. Este recinto era onde anteriormente o pessoal do HCR habitava e tinha os seus escritórios. Há uns anos atrás, porém, o HCR decidiu construir novas instalações do outro lado da estrada (cfr. em maps.google.com, em vista e satélite, inserindo as coordenadas: 3.70803, 34.85389), tendo deixado as instalações deste recinto disponíveis para serem alugadas pelas várias ONGs que trabalham em Kakuma.
A casa onde tenho agora o meu quarto é uma das três casas que o JRS tem no recinto, e foi construída há menos de um ano (cfr. 3.71224, 34.858246 – na altura da foto a casa ainda não tinha sido construída). É uma casa com um pequeno pátio interior e que têm quatro quartos, e onde está também a cozinha e a sala de jantar. A outra casa mesmo ao lado desta (e onde fiquei nos primeiros dias) têm 6 quartos. A terceira casa fica um pouco mais afastada, mais para a zona dos escritórios, e tem 4 quartos. Uma vez que, das três casas do JRS, a casa onde estou é a única que tem sala de jantar, todos os dias todos os outros membros da comunidade JRS vem ter a esta casa para as refeições.
Costumamos ter missa todos os dias na casa ao lado às 7h30, claro, apenas para os que querem participar (até porque nem todos na equipa do JRS são católicos). Rotativamente com os outros dois padres, presido a algumas destas missas.
No que diz respeito a energia, existe um grande gerador comum, que fornece quase ininterruptamente energia a todo este Compound (interrompe apenas duas vezes ao dia: das 13h30 às 14h30 e das 17h30 às 18h30). Quanto a electricidade estamos muito bem servidos, portanto. Imagino que o consumo de combustível para produzir esta electricidade seja bastante grande. Mas é ao mesmo tempo o único meio de ter iluminação e computadores ou internet, além de frigoríficos e arcas congeladoras a funcionar. Quanto a água dentro do recinto, ela provém de furos, também comuns, a partir dos quais são depois alimentados pequenos depósitos que foram construídos junto de cada casa.
Ainda no mesmo recinto onde estamos, trabalha ainda uma outra agência das Nações Unidas: o WFP (ou PAM – Programa Alimentar Mundial). em maps.google.com dá para ver: é um conjunto de construções com o tecto azul, não muito longe da casa onde estou.
Para além das ONGs que trabalham aqui, fora deste recinto, numa outra zona do campo mais a norte, trabalham os padres Salesianos que têm um centro de formação vocacional, dando sobretudo formação técnico-profissional a uma enorme quantidade de jovens, em áreas que depois estes poderão facilmente utilizar para as suas próprias vidas: carpintaria, canalização, informática, mecânica, etc (cfr. 3.73799, 34.83688). É um trabalho extraordinário o que os Salesianos têm aqui.


Um Calor Seco
Como já disse antes, a temperatura em Kakuma é mesmo muito elevada, com uma média durante o dia acima dos quarenta graus. Muito quente, portanto, e com um calor constante. Mas por outro lado é um calor seco – um calor com o qual lido mais facilmente (uma humidade elevada, mesmo com temperaturas mesmo mais baixas, é que é para mim algo mais difícil). À noite, de qualquer modo, costumo dormir com uma ventoinha a funcionar no quarto e com a porta e as janelas abertas (tudo com rede mosquiteira). Quanto a mosquitos não parece haver muitos, pelo menos até agora. E por isso também não parece haver muito paludismo: talvez com tanta secura não seja possível os mosquitos desenvolverem-se muito.
Por outro lado, a partir da Páscoa tivemos quase duas semanas com um tempo que todos dizem não costuma ser habitual: uma série de dias com um tempo um pouco mais fresco. Na noite noite de sexta-feira para sábado santo, e depois em alguns dias que se lhe seguiram, tivemos chuva, algumas vezes com muita força. E em pouco tempo esta terra quase desértica começou a passar de castanho para mais verde. Nesses dias, mesmo quando não chovia havia no céu mais nuvens do que o habitual, o que fez baixar um pouco a temperatura. Impressionante depois da chuva foi ver a força das águas a passar aqui mesmo junto ao campo, no leito do rio que a maior parte dos dias do ano está completamente seco. A água corria com enorme força em toda a largura do rio (que chega a algumas centenas de metros em algumas partes), e com uma forte corrente e ondas de mais de um metro de altura. Mas, como disse, disseram-me que é um tempo que não costuma ser habitual. De facto, agora a chuva parece já ter parado, e a temperatura voltou ao habitual.


O Meu Trabalho em Kakuma

O JRS tem actualmente vários projectos a funcionar em Kakuma: por exemplo um programa de bolsas de estudo para ensino primário e secundário para raparigas, às quais muitas vezes não é dada a possibilidade de estudar; um programa de bolsas para crianças com necessidades especiais; uma casa de abrigo – "safe haven" – para proteger crianças ou mulheres vítimas de violência; um programa de aconselhamento e saúde mental, etc.

O meu trabalho até agora tem sido desenvolvido num outro projecto, no "Arrupe Center of Education", em Kakuma I (cfr. 3.72151, 34.848255). É neste Centro que está a ter lugar o projecto-piloto de ensino superior à distância, que começou no início deste ano neste campo (em simultâneo com o campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi). Trata-se de um projecto comum, entre o JRS e o Jesuit Commons, uma rede de pessoas e instituições ligadas à Companhia de Jesus e à sua missão (cfr. www.jesuitcommons.org/About-Us). Recorrendo à Internet e aos meios informáticos de que dispomos no mundo de hoje, este projecto visa dar a possibilidade a pessoas que estão em campos de refugiados de terem acesso ao ensino superior. O projecto tem por nome JC-HEM (Jesuit Commons – Higher Education at the Margins – cfr. www.jesuitcommons.org/index.asp?bid=40&nid=60&fid=200). No final do curso os estudantes aprovados receberão um diploma atribuído pela Regis University, em Denver, no Colorado (www.regis.edu), a instituição participante desta iniciativa com mais experiência na área do ensino à distância. Aqui em Kakuma, uma primeira turma de 35 alunos começou em Janeiro, e uma segunda turma deverá começar em princípio em Setembro.

Além destes cursos superiores, o Centro Arrupe está a oferecer ainda outras possibilidades de formação, através de cursos mais curtos de 15 semanas de duração, dedicados a temas específicos, e que visam potenciar o desenvolvimento das comunidades (CSLT – Community Service Learning Track).

Há ainda um outro projecto que está agora a nascer, e onde estou também envolvido. Trata-se de um Community Technology Access (CTA), patrocinado pelo UNHCR e implementado pelo JRS. Este CTA pretende dar acesso às pessoas às novas tecnologias, e em particular ao amplo mundo da Internet, com todas as possibilidades de formação e informação a que esta dá acesso, (desde cursos de formação a meios de encontrar e candidatar-se a um emprego). O edifício deste CTA está já pronto e com computadores deverão chegar a Kakuma nos próximos dias.

Todas estas obras envolvem bastante trabalho, não apenas de organização e recursos humanos, mas também a nível técnico (computadores, meios de acesso à Internet, energia). Antes de eu ter chegado a Kakuma, já se encontrava aqui um outro jesuíta há seis meses e que, tal como eu, antes de entrar na Companhia estudou engenharia. Chama-se Christian Braunigger e está aqui a fazer o seu Magistério no JRS, vindo da Alemanha. Desde que eu cheguei, a gestão técnica de todo este material – e ainda do material que está para vir e também do que está para ser encomendado – tem sido dividida entre nós os dois.

Uma das questões a resolver aqui é a da energia. Além da alimentação dos computadores e da iluminação, e uma vez que as temperaturas aqui são tão elevadas (e que a poeira é tão abundante), as salas de computadores, com dezenas de pessoas dentro a trabalhar, têm necessariamente de ter um sistema de ar condicionado a funcionar, de outro modo tornam-se impraticáveis, quer para as pessoas, quer para as máquinas. O problema com o ar condicionado é que estes aparelhos consomem uma grande quantidade de energia, a qual, claro, tem de vir de algum lado. No Centro Arrupe, esta questão tem até agora sido resolvida recorrendo a um gerador próprio, o qual tem produzido energia suficiente para todo o sistema. A longo prazo, porém, o consumo de combustível deste gerador acarreta custos que se tornam difíceis de suportar. Estamos por isso, o Christian e eu, a estudar possibilidades de fornecimento de energia através do recurso a painéis solares. Embora o investimento inicial neste tipo de solução seja bastante grande, já que a área de painéis para alimentar todo o Centro terá de ser considerável, ao fim de alguns anos, o investimento compensará (e mais ainda se o preço do combustível aumentar, ou se o seu fornecimento se tornar irregular). O mesmo problema, praticamente, se levanta também para o CTA. Para este deveremos em princípio ter logo desde o início painéis solares em número suficiente para alimentar os computadores (mas não ainda para ar condicionado).

Finalmente, aos domingos tenho celebrado missa em St.Stephen, uma das das capelas mais próximas, e onde se encontra uma comunidade com nacionalidades variadas: Congo, Uganda, Ruanda, Burundi e Sudão. As missas são celebradas em inglês, já que eu não falo a outra língua mais conhecida aqui no campo – o swahili. Uma outra capela perto de nós é a capela de Peter and Paul, onde a quase totalidade das pessoas que frequentam provém do sul do Sudão. Tanto numa como noutra a vivência da liturgia é muito animada, com cânticos e danças em todas as celebrações.



O Campo de Refugiados de Kakuma (I, II e III), numa escala de 1km.

A azul claro no mapa está indicado o leito do rio que, na quase totalidade dos dias do ano, está totalmente seco


Quase no canto inferior direito, a castanho claro, encontra-se o Compound das ONGs. Um pouco mais abaixo, do lado oposto da estrada e com a mesma cor, vê-se também ainda parte do Compound do HCR.

Em baixo, um pouco mais à direita (não aparecendo neste mapa), logo depois de cruzar o rio encontra-se a povoação de Kakuma, habitada na sua maior parte pela população originária deste local, os Turkanas.



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Boa Páscoa!



No filme A Paixão de Cristo (2004), esta citação retirada do Livro do Apocalipse – "Eu faço novas todas as coisas" – é colocada na boca de Jesus no momento em que tudo parece apontar precisamente para o contrário.

É surpreendente a capacidade que Jesus tem de facto para renovar e recriar a realidade, a começar pela realidade humana. Ainda que por vezes possa ser para nós desconcertante o modo que Ele encontra para o fazer.

Um dos mais conhecidos poemas portugueses fala da necessidade de "passar além da dor". Talvez porque quando esta é demasiado grande os nossos olhos podem não conseguir ver mais nada. Mas a verdade é que, em Jesus, uma outra realidade acaba por se revela ainda maior – a única que de facto tem futuro, a única que na verdade tem valor.

Com a vida e a entrega de Jesus, da qual celebramos agora o seu ponto mais extremo, tem início uma autêntica revolução interior: algo que começa a tomar conta do mundo e a recriá-lo de novo. Lenta e discretamente tantas vezes, mas de uma forma poderosa e verdadeira como nenhuma outra força seria capaz de o fazer.

A partir da sua ressurreição, novas possibilidades e insuspeitados horizontes se abrem diante de nós. Laudetur Jesus Christus! Aleluia!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

No Campo de Refugiados de Kakuma

De Nairobi para Kakuma
Cheguei ao campo de refugiados de Kakuma na segunda-feira passada, dia 11 de Abril. Vim de avião até uma cidade chamada Lodwar que fica a uma hora e meia daqui, e depois, de Lodwar até Kakuma, de carro. Na semana anterior tinha estado no escritório regional do JRS em Nairobi, num tempo de preparação para o meu trabalho em Kakuma. Foi uma semana com muitos contactos e reuniões, e um tempo para poder conhecer um pouco as pessoas e os outros projectos que o JRS tem nesta região da África Oriental. Pude também conhecer directamente um dos projectos de apoio a refugiados que o JRS tem na cidade de Nairobi, acompanhando uma Irmã que faz visitas a casas onde se encontram refugiados, em alguns bairros pobres de Nairobi.

O Campo de Kakuma
O campo de refugiados de Kakuma fica no Rift Valey, a uns 750 km norte de Nairobi, e já próximo da fronteira com o Sudão e do Uganda. É um campo bastante antigo, vai fazer agora vinte anos (http://en.wikipedia.org/wiki/Kakuma). Há por isso pessoas neste campo que viveram grande parte da sua vida aqui – alguns até nasceram e cresceram neste campo.

O Quénia tem sido nos últimos anos um País bastante estável e pacífico (tiveram problemas na sequência das eleições de 2007, mas felizmente não demorou muito a que fossem ultrapassados). À volta do Quénia, porém, quase todos os Países vizinhos têm tido (e continuam actualmente a ter) problemas bastante sérios, nomeadamente de instabilidade e de guerra civil, muitas vezes com violência exercida directamente sobre as populações civis. O campo de Kakuma conta por isso, neste momento, com mais de 80.000 refugiados, provindos de vários Países vizinhos (e alguns até não adjacentes ao Quénia). A maior parte dos refugiados que se encontram em Kakuma vieram do Sudão, Somália, Etiópia e Eritreia, Rep.Democrática do Congo, Uganda, Ruanda e Burundi. Mas há também um número considerável de pessoas provindas de outros Países. Nos tempos mais recentes, tem sido sobretudo da Somália que têm chegado a maior parte dos refugiados (e continuam a chegar).

Em Kakuma trabalham varias agências da Nações Unidas, bem como um número de organizações não governamentais, entre as quais o JRS (uma das mais pequenas, por sinal). O governo do Quénia também está presente, sendo a polícia queniana responsável pela segurança no campo.

Dadaab
Pelo que me disseram, no Quénia, mais próximo da fronteira com a Somália, há um outro campo que neste momento tem uma população de refugiados bem maior do que Kakuma. Chama-se Dadaab, (http://en.wikipedia.org/wiki/Dadaab). Dadaab terá actualmente mais de 300.000 refugiados. E este número continua a aumentar, devido ao contínuo fluxo de pessoas que continuam a ter de fugir da Somália. Inclusivamente, alguns dos refugiados da Somália que estão agora aqui em Kakuma estiveram inicialmente em Dadaab, tendo sido mais tarde trazidos para aqui pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), por Dadaab não ter mais capacidade para os receber.

A Comunidade do JRS
Quanto à casa para onde vim morar, faz parte de uma comunidade do JRS composta por uma dúzia de pessoas: outros três jesuítas, uma Irmã e vários voluntários ou contratados leigos. É uma comunidade com uma média etária baixa e com pessoas vindas de diversos Países: Austrália, Estados Unidos, Canada, Alemanha, Áustria, Republica Checa e, claro, Quénia.

Em http://maps.google.com/, introduzindo as coordenadas 3.71222, 34.858037, com a vista de satélite dá para ver a casa onde estou agora (tem um pequeno pátio interior). A equipa do JRS mora em três casas diferentes, todas próximas umas das outras. Uma das outras casas do JRS fica mesmo ao lado da minha, mas na altura em que estas fotos do google foram tiradas ainda não tinha sido construída. Por outro lado, também o próprio campo de refugiados está agora já maior.

O Panorama

Como se pode ver, as nossas casas ficam numa das extremidades sul do campo, e junto ao leito, bastante largo, de um rio. A maior parte do tempo esse leito está seco: enche-se apenas ocasionalmente, quando há chuvas nas montanhas do Uganda. E nessa altura a água passa então em grande quantidade por Kakuma. Mas são poucos os dias do ano em que isso acontece. Logo do outro lado do leito existe uma pequena povoação de habitantes locais – não refugiados, portanto – chamados Turcanas (o mesmo nome dado a um grande lago que existe a pouco mais de cem quilómetros a leste de Kakuma). Pelo que me disseram, e apesar de parecer algo estranho, os Turcanas são ainda mais pobres do que os próprios refugiados.

A partir das imagens satélite dá também para perceber que a paisagem aqui é um pouco desértica. De facto, não estamos muito longe do Saara. O clima é por isso bastante quente e seco (talvez não muito diferente do nosso Alentejo, aí pelo mês de Agosto). Apesar de ser quase deserto, a paisagem parece-me bastante bonita, com montanhas mais altas à volta e com o céu à noite cheio de estrelas.

É tudo por agora. Numa próxima oportunidade, espero poder publicar fotos daqui e descrever um pouco o meu trabalho no campo.