quarta-feira, 1 de maio de 2013

Em Mae Hong Son


Foto da casa do JRS em Mae Hong Son.
Estou desde Março em Mae Hong Son, uma pequena cidade com pouco mais de seis mil pessoas, situada no noroeste da Tailândia. Esta cidade é a capital de uma província tailandesa com o mesmo nome. Continuo a trabalhar com o JRS, ajudando a lançar num campo de refugiados perto daqui o projecto JC:HEM (ensino superior à distância para refugiados).


No mapa seguinte pode-se ver a localização exacta desta casa:
(carregando no botão "+" do lado esquerdo
pode-se ir fazendo o zoom-in da imagem)


A Tailândia tem um conjunto de campos de refugiados ao longo da sua fronteira leste (refugiados que na quase totalidade provêm da Birmânia).
Em Mae Hong Son o JRS trabalha nos dois campos mais próximos da cidade: um a cerca de uma hora de distância e o outro a cerca de três horas. 

Não sendo permitido ao pessoal das ONGs ou das agências das Nações Unidas permanecer nos campos durante a noite, ao fim da tarde regressamos a Mae Hong Son. 

O mapa seguinte apresenta o trajecto entre Mae Hong Son e o campo de Ban Mai Nai Soi (o mais próximo da cidade):




A paisagem aqui é bastante diferente da do Quénia:
a região é montanhosa e bastante verde.

As casas aqui também são bastante diferentes:
construídas com madeira e bambu e com
os telhados feitos de folhas de árvores entrelaçadas
(técnicas habituais nestas partes do mundo).
De um modo ou de outro, aos refugiados
não lhes é permitido utilizarem materias
mais sólidos ou permanentes,
como tijolos ou cimento.
O campo de Ban Mai Nai Soi alberga cerca de vinte mil pessoas.
A maior parte vem da Birmânia e fala a língua Karenni.


Convidados para almoçar em casa de um dos refugiados 
que trabalha no departamento local de educação
(com o qual o JRS colabora bastante de perto).
Como muitas das casas do campo, esta casa
é construída levantada a um ou dois metros
acima do solo.

Grande variedade de comida -
felizmente para mim nem toda ela muito picante.
Já de volta a Mae Hong Son:
participando na celebração da Vigília Pascal.
A maior parte da população da Tailândia
é budista, mas há uma pequena minoria cristã.
Durante esta Vigília Pascal cerca de vinte adultos
foram baptizados: todos eles da etnia Hmong
(vivem a poucos quilómetros de Mae Hong Son).
O Pe. Luís António, que presidiu à celebração, nasceu na
Colômbia. Pertence à congregação dos missionários xavieranos
e trabalha desde há uns anos na região de Mae Hong Son,
falando fluentemente o tailandês (a língua utilizada
nas celebrações desta igreja).
Estes trajes típicos, utilizados em ocasiões especiais,
são decorados com uma espécie de lantejoulas que
fazem um ruído característico (como de pequenos sinos)
quando quem os usa anda ou movimenta o corpo.






domingo, 31 de março de 2013

Boa Páscoa!


Estou já em Mae Hong Son no noroeste da Tailândia,
junto à fronteira com a Birmânia.

Espero em breve poder publicar texto e fotos.

Por agora quero apenas desejar a todos uma Santa Páscoa
na alegria de Jesus Ressuscitado.


domingo, 3 de março de 2013

Quase de Partida

As últimas semanas da nossa Terceira Provação foram ocupadas principalmente com o estudo das Constituições da Companhia de Jesus. Tendo agora o programa da Terceira Provação terminado, conto deixar o Sri Lanka muito em breve (já no próximo dia 5 de Março).

A minha próxima missão vai ser na Tailândia, num campo de refugiados que fica junto à fronteira com a Birmânia (Myanmar). Aí continuarei a trabalhar com o JRS no mesmo projecto de ensino superior à distância para refugiados (cfr. www.jc-hem.org).
*
Ainda aqui no Sri Lanka, no nordeste do País, fui apresentado recentemente a uma família que pertence à comunidade étnica do Sri Lanka conhecida como "Portuguese Burghers". Trata-se, na sua maioria, de descendentes de portugueses (ou de casamentos mistos) de séculos passados.

Mas fiquei impressionado ao ver que, mesmo depois de 350 anos de os portugueses terem deixado a ilha, esta língua ainda é por eles falada: é a língua usada para falar em casa (embora não seja escrita).

O sotaque deles é um pouco diferente do nosso (talvez mais parecido com o do Brasil ou de Cabo Verde). E também não consegui  identificar imediatamente todas as palavras que eles usavam, quer por eles usarem palavras de português antigo (que nós já não usamos), quer por algumas das palavras por eles usadas terem sofrido uma evolução fonética diferente da nossa ao longo do tempo.
*
Dessa família não tenho comigo nenhuma foto. Mas publico fotografias de outras visitas que entretanto fizemos juntos durante a nossa estadia no Sri Lanka.


Há uns meses atrás visitámos a "Casa de Retiros Flutuante".
Trata-se de um centro cristão de oração, criado por um Padre
da Diocese de Colombo. Fica numa 
zona bastante verde e onde
a água é abundante. Na foto um dos muitos lugares de oração
deste centro: uma barca a recordar a barca de Pedro.


O nome oficial desta casa de retiros - "Supuwath Arana"
(espaço da boa nova). Aqui à entrada o seu nome escrito
em três alfabetos diferentes: cingalês, tamil e, 
felizmente,
também em inglês (quando os letreiros estão escritos apenas
nos dois primeiros alfabetos, fica mais difícil para um -
literalmente - analfabeto como eu os conseguir ler).


No centro podem-se encontrar dezenas de cenas do Antigo e
sobretudo do Novo Testamento. Aqui a criação do ser humano.


A cena da lavagem dos pés.
Todas as figuras são em tamanho natural.



As cenas têm por objectivo ajudar as pessoas que aqui vêm rezar
a meditar nas cenas bíblicas. O centro tem uma área de 26.300 m2



Como acontece com praticamente todos os espaços de culto
nesta zona do mundo (cristãos e não cri
stãos), como 
sinal
de respeito não é suposto andar aqui com os sapatos calçados.


Em cada semana um grande número de crentes
passa por este centro para rezar.








O programa do centro inclui também momentos de celebração
onde por vezes se chegam a reunir milhares de pessoas.
Muitas vezes estes encontros são transmitidos 
pela televisão.


Outra das visitas que fizemos há uns tempos:
ao orfanato dos elefantes (não muito longe de Kandy).


No interior do terreno os elefantes andam à solta
e os visitantes podem se aproximar deles.





Aqui o momento em que um dos elefantes
começou lentamente a aproximar-se de mim.

É impressionante ver como estes animais,
tão grandes e com tanta força, podem
ao mesmo tempo ser tão dóceis e sociáveis.


Nas novas instalações da Cúria Provincial dos Jesuítas do Sri Lanka,
inauguradas há três meses atrás. Incluem também uma enfermaria
onde se encontram os quartos dos Jesuítas mais idosos (na foto).
Mais ao fundo, a capela da comunidade.

O sacrário da capela da comunidade.




E para dar um pouco uma ideia dos ritmos musicais destas paragens, termino com um cântico religioso em tamil. Depois de o ouvir duas ou três vezes ele parece ser contagiante.

A letra diz basicamente que tudo neste mundo passa... mas que, apesar disso, mesmo já aqui podemos encontrar algo que permanece, algo que é eterno.

O título do cântico é "Neeye Nirandaram", que quer dizer "Tu [Jesus] és eterno" ou "Tu estás sempre comigo".


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ainda Mannar e Outras Visitas

Ainda algumas fotos de Mannar e de outros locais que visitei:


A Catedral de Mannar. Ao contrário de outras partes
do Sri Lanka, a religião dominante nesta zona - e
especialmente na cidade de Mannar - é o cristianismo.


Um dos muitos presépios que se viam um pouco por toda a ilha de Mannar.
Este, ao lado da Catedral, era em tamanho natural.


No dia 31 de Dezembro à noite acompanhei o Bispo
de Mannar na celebração da missa da meia-noite
que é costume celebrar aqui nessa ocasião. Apesar de a
Catedral ser grande, a missa teve de ser celebrada
num espaço aberto lateral, por serem muitas as pessoas
que habitualmente nela participam.


Como se pode ser nesta foto e na anterior,
o modo de vestir aqui é algo diferente daquele
a que estamos habituados. Mas também muito bonito.


As imagens das Igrejas são por vezes decoradas
com vestidos ou decorações da tradição local.
O Evangelho foi trazido para o Ceilão nos princípios do século XVI
por missionários portuguesesé hoje. Desde então, as
comunidades cristãs, existentes sobretudo nas zonas litorais da ilha,
mantiveram-se até hoje com grande devoção e perseverança,
mesmo apesar das várias perseguições sofridas


Uma árvore antiga no centro de Mannar (ligada a uma imagem de
Nossa Senhora) que dizem ser ainda do tempo dos portugueses.


Com dois outros Jesuítas (um do Sri Lanka e outro da Índia)
em Talaimannar, mesmo na ponta da ilha (e quase a tocar na Índia:
do pontão por detrás de nós até ao continente são menos de 30km).


Nas estradas por aqui tem de se conduzir
com mais cuidado: tantas vezes cabras, vacas,
burros selvagens (ou elefantes, no leste da ilha)
podem ter decidido estacionar no meio do caminho.





Nos primeiros tempos da Evangelização, ainda S.Francisco Xavier
era vivo, o Rei de Jaffna (a uns 150km de Mannar) mandou matar
todos os que em Mannar se tinham convertido ao cristianismo.
O martírio de mais de 600 pessoas (entre homens, mulheres e crianças)
é assinalado neste Santuário.






Um modo de viajar no Sri Lanka que vem do tempo dos ingleses.

O problema é que a população desde então
aumentou mais um bocadinho. Por isso pode
por vezes não ser assim tão fácil encontrar-se
algum espaço livre 
dentro das carruagens...


Uma foto tirada à minha ida para Mannar, aquando das
inundações um pouco por todo o País.


Uma visita a uma fábrica de chá. Aqui o primeiro passo a que
estas folhas de chá são submetidas no seu longo e complexo processo
de tratamento: algumas horas com 
um forte fluxo de ar vindo de baixo.


As folhas de chá são comprado pela fábrica a centenas
de pequenos agricultores que vivem nas redondezas


O Sri Lanka é famoso pela quantidade de chá que exporta
um pouco para todo o mundo.
 




Numa outra visita surpreendemos uma cobra a matar e a devorar um lagarto
(que parecia ser maior do que ela e do que a sua boca). O disfarce natural
da cobra parece ser perfeito, já que a sua cabeça se confunde com uma folha
(e a sua pele muda de cor conforme a situação onde está). O VÍDEO não é
recomendado para pessoas impressionáveis...




Em casa tentamos ter algum exercício físico regular:
alguns optam habitualmente pelo badminton.

Um dos comentários habituais dos que jogam: lá fora pode
ser diferente mas 
"inside these lines, no mercy...".